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Mãe diz que filho autista foi empurrado por professor em escola de Cabo Frio e fraturou o fêmur: 'colocaram ele no ônibus machucado'

Mãe denuncia agressão a aluno em escola de Cabo Frio A mãe de um jovem autista e com deficiência intelectual afirmou que o filho foi agredido por um profess...

Mãe diz que filho autista foi empurrado por professor em escola de Cabo Frio e fraturou o fêmur: 'colocaram ele no ônibus machucado'
Mãe diz que filho autista foi empurrado por professor em escola de Cabo Frio e fraturou o fêmur: 'colocaram ele no ônibus machucado' (Foto: Reprodução)

Mãe denuncia agressão a aluno em escola de Cabo Frio A mãe de um jovem autista e com deficiência intelectual afirmou que o filho foi agredido por um professor na Escola Municipal Renato Azevedo, instituição com foco na educação inclusiva em Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio. Ao g1, Cristina da Conceição Costa disse que o filho, Davi Elias Júnior, de 21 anos, foi empurrado por um professor, e, na queda, sofreu uma fratura no colo do fêmur, o que foi confirmado posteriomente em exames de imagens. Segunda ela, mesmo sentindo dores, Davi caminhou da quadra ao portão da escola e foi colocado no ônibus de volta para casa, sem que a família fosse acionada pela unidade. O estudante teve que suportar um trajeto que leva cerca de 40 minutos até em casa, na cidade São Pedro da Aldeia. “Tivemos que tirar meu filho no colo. Ele estava gemendo de dor. Eles foram omissos. Não me ligaram, não chamaram o bombeiro e ainda colocaram ele no ônibus machucado. Quando eu fui pegar o Davi no ônibus, me disseram que ele tinha caído e não estava conseguindo andar", explicou. 📱 Siga o canal do g1 Região dos Lagos no WhatsApp. Jovem diagnostica com autismo de nivél três de suporte no Hospital em Araruama Arquivo Pessoal O caso ocorreu na última quarta-feira (11). A mãe questiona a versão inicial registrada pela escola na agenda do aluno, indicando que ele teria “resistido a levantar, se desequilibrado e caído”. Após buscar esclarecimentos, Cristina afirma que a dinâmica apresentada não corresponde ao que foi posteriormente relatado por auxiliares. “Primeiro falaram que ele se desequilibrou. Depois, quando a direção conversou com os auxiliares, todos disseram que ele foi empurrado. Não foi uma simples queda”. Em casa, ao apresentar dificuldades para se movimentar e sinais intensos de dor, Davi foi levado inicialmente para atendimento de emergência em São Pedro da Aldeia, cidade onde mora. Após exames, foi identificada uma lesão, e uma tomografia confirmou a fratura no colo do fêmur. O estudante foi então encaminhado para internação em Araruama. Ainda segundo a mãe, houve dificuldades no atendimento hospitalar, ficando o filho por dias sem acesso ao leito. Davi segue internado no Hospital Roberto Chabo, em Araruama, onde aguarda por cirurgia, marcada para esta terça-feira (17). “Fiquei três dias com ele na sala de medicação, sem leito. Ele é um jovem autista, precisava de cuidado, e ninguém da escola apareceu para dar suporte”, afirmou. Escola registrou caso na delegacia Após a repercussão do ocorrido, de acordo com a mãe, a Secretaria Municipal de Educação registrou um boletim de ocorrência sobre o episódio, que passou a ser investigado pela Polícia Civil como lesão corporal culposa. A Secretaria confirmou, em nota, que fez o registro de ocorrência, instaurou processo administrativo para apuração detalhada das circunstâncias e afastou o servidor das funções, que também foi convocado para prestar esclarecimentos (veja nota na íntegra ao final do texto). O g1 não conseguiu contato com o professor até a última atualização desta reportagem. De acordo com o registro na delegacia, o fato teria ocorrido no momento da saída dos alunos, quando o jovem foi conduzido ao ônibus escolar, ocasião em que teria sido empurrado, caído e se lesionado. O caso também teria sido presenciado por auxiliares de classe e comunicado posteriormente à direção da unidade. A mãe, no entanto, afirma que não concorda com a forma como o registro foi feito, já que, segundo ela, a ocorrência foi formalizada sem a presença da família. “Meu marido foi lá depois, mas não assinou nada. Quem tem que fazer o boletim somos nós. Eles fizeram sem a nossa presença”, disse. A responsável informou ainda que pretende registrar um novo boletim de ocorrência após a realização da cirurgia, com base no laudo médico completo, e reforça que também considera que houve omissão por parte da instituição. “Agora eu preciso cuidar do meu filho. Depois vamos correr atrás dos direitos dele”, declarou. Nota da Secretaria Municipal de Educação A Secretaria Municipal de Educação informa que, assim que tomou conhecimento do caso envolvendo o aluno, mobilizou sua equipe técnica e estabeleceu contato com a direção da unidade escolar para o levantamento das informações iniciais. Diante dos fatos relatados à gestão, foram imediatamente adotadas as providências cabíveis, incluindo a instauração de processo administrativo para apuração detalhada das circunstâncias e o afastamento do servidor de suas funções, bem como sua convocação para prestar esclarecimentos. Paralelamente, foi realizado registro de ocorrência junto à autoridade policial competente, a fim de garantir a devida investigação no âmbito legal. A Secretaria lamenta os fatos relatados e se solidariza com a família, reforçando que seguirá acompanhando o caso com rigor, colaborando integralmente com as autoridades competentes. A gestão repudia qualquer forma de violência no ambiente escolar e reafirma seu compromisso com a segurança e o bem-estar dos alunos da rede municipal.